As relações existentes entre a Publicidade e o universo infantil: Análise e bate-papo com Brenda Gue

Aproveitamos que hoje é comemorado o Dia Internacional da Criança na Mídia e conversamos com Brenda Guedes, para entender mais sobre o tema.


Doutoranda em Comunicação pela Universidade Federal de Pernambuco, Brenda é autora no livro “Publicidade e Consumo: Entretenimento | Infância | Mídias Sociais”. Além disso, também atuou como organizadora do livro “Culturas Infantis do Consumo: Práticas e Experiências Contemporâneas” e tem experiência na área de comunicação, com ênfase nos estudos sobre a relação que se estabelece entre Mídia e Infância, atuando principalmente com as seguintes temáticas: infância, publicidade, consumo, educação e mídias.


Confira os detalhes da conversa:


Brenda, qual a importância de analisar a relação entre as crianças e a mídia?


A meu ver, essa é uma das relações que tem se constituído na base da formação dos cidadãos contemporâneos. Valores sobre modos específicos de ser e estar no mundo, além de outros tipos de conteúdo, são veiculados por meio dos muitos formatos de mídia que dialogam, quase que ubiquamente, com a sociedade - especialmente com as crianças.


Quais as motivações que levaram ao desenvolvimento do livro e qual o objetivo em escrevê-lo?


Minhas motivações têm a ver com uma trajetória que se iniciou no período da graduação, e ganhou força com tanto com a participação em um grupo de pesquisa sobre Mídia e Infância (GRIM), quanto com o incômodo gerado por determinadas práticas do fazer publicitário. A pesquisa desenvolvida durante o período do mestrado deu origem à segunda parte do livro “Publicidade e Consumo: Entretenimento | Infância | Mídias Sociais”, e objetivou, dentre outras coisas, extrapolar a discussão para fora dos muros da universidade, convidando a sociedade a refletir com mais atenção sobre os discursos que circulam na mídia brasileira sobre publicidade e infância.


Atualmente, algumas mudanças ocorreram na Publicidade em relação às crianças. Você acredita que esse posicionamento já é o ideal ou existem algumas lacunas que devem ser melhoradas?


A Resolução 163 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA), aprovada no primeiro semestre de 2014, de fato posicionou na cena pública uma nova perspectiva sobre “a abusividade do direcionamento de publicidade e de comunicação mercadológica à criança e ao adolescente”. A medida atende a uma parte das (crescentes) demandas sociais por regulamentação da publicidade destinada a tal público, no entanto, causa incômodos àqueles que obtêm seus lucros com base nessa fatia de mercado. A meu ver, trata-se de um instrumento legal que representa certo avanço – a despeito de todas as iniciativas que trabalham rumo à deslegitimação de tal medida – mas, em se tratando da versatilidade e capacidade de adaptação do discurso de caráter publicitário, faz-se necessária uma constante revisão sobre a eficiência das medidas vigentes que intencionam zelar pelo bem-estar das crianças.


Por fim, qual a sua opinião sobre a exposição de crianças na internet, com a potencialização atual do YouTube, Blogs e até mesmo do Facebook?


Eu vejo a internet como um espaço potencial. Potencial para experiências de risco, mas também para oportunidades interessantes. A questão da exposição de crianças na rede, bem como a questão da exposição do conteúdo das redes junto às crianças rodeia os fóruns de debate sobre a relação em pauta, por se tratar de um terreno no qual as regras de “conduta” ainda não estão consolidadas e mais que isso, são extremamente mutáveis. Em momentos assim, a família assume um papel fundamental no processo de comunicar às suas crianças o que cabe ou não. Contudo, a questão se torna ainda maior quando assimilamos o princípio constitucional de que não só as famílias são responsáveis por suas crianças, mas que Estado e Sociedade Civil são parceiros diretos na educação e cuidado junto a essa parcela social.


Agradecemos a disponibilidade de Brenda Guedes e esperamos continuar com essa parceria, de forma a agregar conhecimento numa temática tão importante e atual como a relação existente entre a publicidade e a infância.


(Contato: blguedes@gmail.com)